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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Capítulo III: Paris je t’aime!

Adoreiii Paris! Eu que julgava tratar-se dum cliché quando se referiam a Paris como “a cidade da luz e do amor”, esta cidade é tudo isso e muito mais!
Há literalmente amor e magia no ar, respira-se felicidade em Paris!



Ficámos no quarto nº 508 do Hotel Printania, situado perto da Place de la Nation, que no século XVII se chamava Place du Trône. Louis XIV fez ali a sua entrada triunfal após o seu casamento com a esposa Marie Thérèse d’Áustriche, no dia 26 de Julho de 1660. O nome da praça advém do fato de que para este dia construíram ali um trono, que foi, mais tarde, durante a Revolução Francesa, deitado a baixo e em seu lugar foi colocada a guilhotina. Foi rebatizada de Place du Trône-Renversé (ou “praça do trono caído”) após 10 de agosto de 1792.O nome actual foi-lhe atribuído em 1880, altura em que se celebrou pela primeira vez o dia 14 de Julho, festa nacional. Tem como monumento central o «Le Triomphe de la République», encomendado em 1879 pela cidade de Paris ao escultor Jules Dalou, para o aniversário de 100 anos da Revolução Francesa e inaugurada em 1899 e que representa a República rodeada pela Justiça, Liberdade e Abundância. A estátua volta seu olhar para a Place de la Bastille.

 
Cemitério Père Lachaise 
 
Nas imediações situa-se o Cemitiére du Père Lachaise. A primeira vez que ouvi falar neste cemitério foi através do apresentador José Carlos Malato, num dos seus programas da RTP1, tendo-o ele descrito como um dos sítios obrigatórios de ver em Paris. Na altura pensei que seria um pouco mórbido incluir a visita a um cemitério num roteiro turístico. No entanto, como fãs de Jim Morrison que somos, decidimos prestar esta homenagem ao grande cantor e poeta. E de facto, o túmulo de Jim Morrison (1943-1971) é o mais visitado.
Foi uma experiência do outro mundo! O Cemitério de Père Lachaise é o maior e mais importante cemitério de Paris, pelos inúmeros túmulos de personagens ilustres que guarda no seu tranquilo espaço verde- Molière (1622-1673), Honoré de Balzac (1799-1850), Oscar Wilde (1854-1900), Frédéric Chopin (1810-1849), Edith Piaf (1915-1963), Allan Kardec (1804-1869), Sarah Bernhart, Gay-Lussac, Abelardo e Eloísa, Yves Montand, Marcel Proust, Simone Signoret. Visitá-lo constitui quase uma peregrinação histórica, através da pintura, poesia e da filosofia. Os seus jardins e túmulos parecem ter sido retirados de um filme de Tim Burton (e quem sabe se não lhe serviu de inspiração!).
 

 Quase não foi necessário confirmar no mapa a localização do túmulo de Jim Morrison. Ainda estávamos nas imediações, quando começámos a ouvir The Doors- L.A. Woman e vemos, ao fundo da rua, um amontoado de fãs. Quando nos aproximámos do túmulo, reparámos que apesar de ser o túmulo mais visitado, é um dos mais simples e encontra-se protegido por grades de metal, uma vez que tem sido alvo de atos de vandalismo.
 
 Mais tarde viemos a saber que administração do cemitério já tentou transferir de lá o túmulo de Jim Morrison – local de concentração de fãs, no mínimo, barulhentos! Mas, como esse túmulo foi arrendado para sempre, enquanto existir o Père Lachaise, Jim Morrison descansará por lá.
 
 
Metro de Paris
 
O metro de Paris é algo de fabuloso. A sua linha 1 foi a primeira linha metroviária a operar na França. Inaugurada em 1900 para a Exposição Universal, a obra foi concluída sob o comando do engenheiro Fulgence Bienvenue - conhecido na França como o pai do metro . Foi ele quem, em 1985 desenvolveu o ante-projeto do que viria a ser, de fato, o metro parisiense. É também mais uma das figuras ilustres que repousa no Cemitério Père-Lachaise.
O que mais me fascinou nas inúmeras viagens de metro que fizémos, foram as elegantes edículas em estilo art nouveau que ornamentam as entradas de algumas das estações. Foram projetadas pelo arquiteto Hector Guimard (e de certo que também já serviram de inspiração a Tim Burton!)
 
 


 Museu do Louvre
 

Ir a Paris e não visitar o Louvre é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa.
O Louvre é considerado o maior Museu do mundo. Também, pudera, seus números são de assombrar qualquer ser humano. Este apresenta cerca de 8.000 anos de cultura oriental e ocidental e tem um acervo de 380 mil itens, dos quais 35 mil mantém em exibição permanente.
Situado no centro da cidade-luz, entre o Rio Sena e a Rue de Rivoli, esta estrutura é constituída por uma pirâmide de vidro no seu pátio central, que se justapõe à dos Champs-Élysées. É impossível entrar neste Museu sem passar pela Pirâmide, a qual tem 21 metros de altura e duzentas toneladas de vidro e de traves. Este fenómeno de arquitetura é submetido a uma limpeza semanal por um robô, criado justamente para desempenhar esta tarefa!
Já no seu interior, vimos obras ancestrais e criações contemporâneas, caminhámos entre a Mona Lisa, a Vitória de Samotrácia e a Vénus de Milo, bem como tivémos contato com objetos antigos do Egipto e da civilização greco-romana.
Mas o momento que, de tão emocionante, me provocou um arrepio, foi ao ver a escultura Vitória de Samotrácia, no alto da escadaria Darú... A sua localização estratégica dá-nos a sensação de que a estátua vai levantar voo ou de que o vento sopra e toca as suas vestes molhadas. É linda, grandiosa e é, de longe, a minha obra favorita do Museu do Louvre. A escultura representada sob a forma de mulher alada, para mim, ela simboliza a liberdade, o mar, o vento... Conta a história que um, ainda novato escultor grego, sem muita fama, foi o seu criador na época helenística, entre 220 e 190 a.C.. Foi descoberta pelo cônsul e arqueologista amador francês Charles Champoiseau em Abril de 1863 na Ilha de Samotrácia, no Mar Egeu.

Outra obra de destaque do Museu é a pintura A Liberdade Guiando o Povo (La Liberté guidant le peuple) de Eugène Delacroix, em comemoração à Revolução de Julho de 1830, com a queda de Carlos X. Uma mulher representando a Liberdade, guia o povo por cima dos corpos dos derrotados, levando a bandeira tricolor da Revolução francesa numa mão e um mosquete com baioneta na outra.
A pintura inspirou a Estátua da Liberdade, em Nova York, que foi dada pera os Estados Unidos como presente dos franceses, 50 anos depois do quadro ter sido pintado. Inspirou também a capa do álbum Viva la Vida ou Death and All His Friends dos Coldplay!

Por baixo daquela famosa pirâmide de vidro, fica o centro de atendimento aos visitantes, a Pirâmide Invertida e o Centro Comercial Le Carrousel du Louvre onde, além de comprar os bilhetes para o Museu, se podem visitar algumas lojas e até mesmo fazer uma refeição completa.
Outro detalhe muito bom do Museu é que podemos tirar fotos e filmar à vontade.






 
Ainda houve tempo (muito dificilmente...) para visitar os aposentos do Imperador de França Napoleão III (sobrinho de Napoleão Bonaparte) no primeiro andar da ala Richelieu. São verdadeiramente luxuosos, e embora tenha sido uma das últimas partes do museu a ser visitada por nós, foi também uma das mais apreciadas. Detalhes das pinturas no teto, lustres de cristais, decoração, tudo aqui reflete o luxo e o poder do Imperador.





E assim, 6 horas passadas e inúmeras obras-de-arte apreciadas, deixámos o Museu com a sensação de que muito havia ficado por ver... Quem sabe, voltaremos um dia...!
 

Arco de Triunfo do Carrousel

Continuando a peregrinação, andámos em direção à Place du Carrousel, um amplo espaço que ocupa a área onde antes surgia o Palácio das Tulherias, destruido num incêndio em 1871. Deparámo-nos com o Arco do Carrousel, e aí tive um déja vu! Este belo monumento é muito semelhante às Portas de Brandenburgo, de Berlim. Foi erguido entre 1806 e 1808, para celebrar as vitórias de Napoleão Bonaparte, de 1805. No topo tinham sido colocados os quatro cavalos dourados que Napoleão mandara vir da Basílica de S. Marcos em Veneza (para onde voltaram em 1815). Os originais foram substituídos por cópias às quais foi acrescentada uma quadriga (carroça) com a estátua da Paz.


 
Jardim das Tulherias
 
Passámos por baixo do Arco do Triunfo do Carrousel e entrámos no Jardim das Tulherias. O extenso jardim foi desenhado pelo paisagista André le Notre em 1664, e é embelezado por estátuas e fontes, um verdadeiro museu com uma importante coleção de esculturas clássicas e contemporâneas. Ao fundo, para regalo dos miúdos e graúdos, surge a Roda Gigante de Paris (Roue de Paris), na Place de la Concorde.
 
Place de la Concorde 
 
A Praça da Concórdia (Place de la Concorde) situa-se ao pé da Avenida dos Campos Elísios (Champs-Elysées) é a maior praça da capital francesa, uma das mais famosas e palco de importantes acontecimentos da história da França. Foi na Place de la Concorde que os revolucionários franceses instalaram a Guilhotina e executaram milhares de pessoas, incluindo o rei Lius XVI e Maria Antonietta. É aqui que se encontra o Obelisco Luxor, mesmo no centro da praça. Trata-se de um obelisco que anteriormente ficava no Templo de Luxor, no Egito. O templo possuía dois obeliscos gêmeos que marcavam a sua entrada. Em 1829, Mohammed Ali Pasha, o vice rei do Egito, deu ambos os obeliscos à França. O primeiro chegou a Paris em 1833. O segundo foi deixado no Egito. No entanto, na década de 90, o então presidente francês François Mitterrand, como um gesto simbólico, renunciou ao segundo obelisco oficialmente.

















 



La Madeleine

Situada muito próximo desta praça, encontra-se a Igreja Madeleine (La Madeleine). Foi mandada fazer por Napoleão I em honra da Grande Armada e foi projetada pelo arquiteto Vignon, em 1806. Mais tarde, em 1814, foi transformada numa igreja dedicada a Santa Maria Madalena. É linda e faz lembrar um templo grego clássico. A sua fachada apresenta um friso esculpido que representa o Juízo Universal. Com muita pena minha, uma vez que o seu interior é belíssimo, não conseguimos entrar na La Madeleine, porque já tinha fechado...
 

 
Palais Bourbon


Encontra-se em frente à Ponte de La Concorde em simetria com a Madeleine. Hoje é sede da Assembleia Nacional. Foi construído entre 1722 e 1728. Inicialmente este palácio destinava-se à Duquesa de Bourbon, filha de Luis IV, que lhe deu o nome. Depois, a partir de 1764, já propriedade do Príncipe de Condé, foi ampliado, assumindo o aspeto atual. Napoleão encomendou a fachada a Poyet, em 1803. O seu interior é muito rico em obras de arte valiosas.
 
 Place Vendôme 



Paralelamente à Place de La Madeleine situa-se a Place Vendôme. Da época de Luis XIV. Esta praça chama-se assim, por se encontrar nela a casa do Duque de Vendôme. Ao centro, ergue-se a coluna construída por Goudouin e Lepère de 1806 a 1810, em honra de Napoleão I. Tem 43.50 metros de altura e possui uma série de baixo-relevos de bronze, em espiral à volta, fundidos a partir de 1200 canhões tomados em Austerlitz (batalha ganha pelo Imperador Napoleão Bonaparte). No topo ergue-se a estátua de Henrique IV. Apresenta-se rodeada de palácios com grandes arcadas no rés-do-chão, destacando-se o famoso Hôtel Ritz, no nº 15, a casa onde morreu Chopin, no nº 12. Da Place Vendôme vai-se até à Rue de La Paix, atualmente uma das mais bonitas da cidade, ladeada por lojas famosas luxuosas, como a joalharia Cartier, no nº 13. Chegados ao cimo, encontramos a Avenue de L'Opéra.
 
 
Opéra

A Opéra é o maior teatro lírico do mundo, com 11.000 metros quadrados de superfície, 2.000 lugares e 450 personagens em cena. Construído entre 1862 e 1875, a partir do projeto de Garnier, é o momento mais caraterístico da época de Napoleão III, marcado pelo luxo caraterístico da época.




Olympia

À frente da Opéra tem início o Boulevard des Capucines, assim chamado porque aqui perto encontrava-se o convento das irmãs Capuchinhas. O famoso music-hall Olympia é o nº 28 desta avenida. Foi fundado em 1888 por Josep Oller, que também foi o criador do Moulin Rouge. Inaugurado com uma atuação de La Goulue, uma das bailarinas de can-can mais populares da sua época. Teatro muito apreciado pela sua acústica, especialmente para gravar concertos em direto, o Olympia já recebeu grandes vozes da história da música, nomeadamente Édith Piaf, Frank Sinatra, The Beatles e The Rolling Stones, ambos em 1964, como também a nossa Amália Rodrigues. No nº 14, uma epígrafe recorda que a 28 de Dezembro de 1895, os irmãos Lumière projetaram um filme em público pela primeira vez. Atrás da Opéra situam-se as Galerias Lafayette.



Galerias Lafayette
São as maiores de Paris, e ficam numa grande e bela estrutura com 10 andares e uma famosa cúpula decorada com vitrais coloridos que dão um ar requintado ao lugar cheio de lojas de marca, de roupas e cosméticos, artigos de decoração e restaurantes. A história das Galerias remonta a 1893, quando Théophile Bader e o seu primo Alphonse Kahn abriram uma loja na esquina da Rue La Fayette e da Chaussée d'Antin, em Paris. O negócio foi crescendo e foram comprando mais e mais lojas no mesmo prédio. No primeiro andar (Espaço Luxo), fica a Galerie des Galeries, a galeria em que são realizadas exposições e workshops de arte e moda.
 
 

Entretanto, como o dia já ía longo, prometia tardar e a fome já apertava, nada melhor do que lanchar numa típica patisserie francesa. Menu: tartelettes aux fraises et au citron avec café au lait. Bon appétit!


 
Le Macaron
Continuando a falar em doces (J), ir a Paris e não comer Macaron, seria como ir a Roma e não comer Macarrão! Esta delícia francesa tem quase 500 anos. Na verdade, o Macaron saiu da Itália no século 16 quando a rainha Catarina di Médici se mudou para a França. O "Doce da Rainha", como era chamado, foi levado juntamente com a sua corte e a receita era mantida em segredo. Até que as freiras carmelitas de Nancy a descobriram e passaram a reproduzi-la e ficaram conhecidas como "Irmãs Macarons". Até hoje, na cidade de Nancy existem os Macarons como eram produzidos naquela época.
A origem do Macaron parisiense tal como se apresenta hoje remonta ao final do século XIX: duas "conchas" coloridas ligadas por um recheio cremoso, invenção de uma antepassado da prestigiada casa Ladurée. Feito à base de amêndoas, açucar e claras de ovos, crocante por fora, macio por dentro... e uma mistura de sabores sutis, fazem deste doce uma iguaria francesa. Hmm, est délicieux!


 Avenue des Champs-Élysées
Conhecida na França como La plus belle du monde ("a avenida mais bela do mundo") era inicialmente situada numa zona pantanosa, que depois de ter sido saneada, o arquiteto Le Nôtre criou nela, em 1667 uma grande avenida chamada Grand-Cours. Só em 1709 passou a ter o nome atual. O nome em francês faz referência ao lugar dos mortos na mitologia grega. A avenida tem 71 metros de largura por 1,9 km de comprimento, iniciando-se na Place de La Concorde, junto ao Obelisco de Luxor, Museu do Louvre e Jardins das Tulherias, e termina na Praça Charles de Gaulle, onde está o Arco de Triunfo. Prolonga-se ainda na direção do Grande Arco de la Déefense. Forma deste modo o Eixo histórico de Paris. Com os seus cinemas, cafés, lojas de especialidades luxuosas e árvores de castanheiros-da-índia, a Avenue des Champs-Élysées é uma das mais famosas ruas do mundo e com alugueres que chegam a € 1.1 milhão por ano, por 92,9 metros quadrados de espaço. Ela continua a ser a segunda avenida mais cara em imóveis em toda a Europa, tendo sido recentemente (em 2010) ultrapassada pela Bond Street, em Londres. A chegada de lojas de redes globais nos últimos anos tem mudado notavelmente o seu caráter e, num primeiro esforço para conter essas mudanças, a cidade de Paris (que tem chamado esta tendência de "banalização") decidiu, em 2007, proibir a multinacional sueca H&M de abrir uma loja na avenida. É nesta avenida que se situa o Lido, um dos cabarés lendários de Paris.
 
 
Arco de Triunfo
 
Surge isolado, no centro da Praça Charles de Gaulle, com dimensões majestosas. Com os seus 50 metros de altura, 45 metros de largura e uma só abertura, foi mandado erguer em 1806, por Napoleão I em homenagem à Grande Armada e suas conquistas. As faces do arco apresentam baixo-relevos. O mais famoso, apreciado e bonito, é o da direita, do lado dos Champs-Élysées, e representa a partida dos voluntários em 1792, conhecido poa La Marseillaise. Em cima, os baixo-relevos, celebram as vitórias napoleónicas, e os seus escudos esculpidos no átrio têm gravado os nomes das grandes batalhas. O túmulo do Soldado Desconhecido foi colocado sob o arco em 1920.


Notre-Dame

A Catedral de Notre-Dame de Paris é uma das mais antigas catedrais francesas em estilo gótico e é dedicada a Maria, Mãe de Jesus Cristo (daí o nome Notre-Dame - Nossa Senhora). A sua construção foi iniciada em 1163 e está situada na Praça Parvis, na pequena ilha "Ile de La Cité", rodeada pelas águas do Rio Sena. Surge no lugar onde se encontrava uma antiga basílica cristã, que, por sua vez, tinha sido erguida onde antes havia um templo da ápoca romana. A catedral foi palco de acontecimentos importantes da História, como a coroação em 1802 de Napoleão Bonaparte a imperador de França, e sua mulher Josefina de Beauhamais a imperatriz, assim como, em 1909, a beatificação de Joana d'Arc. Foi também palco do romance "Notre-Dame de Paris", O Corcunda de Notre-Dame, escrito por Victor Hugo, em 1831. No centro da Praça de Parvis encontra-se no pavimento uma placa de bronze que representa o ponto zero, de onde são calculadas todas as distâncias das estradas nacionais francesas. A fachada da Catedral de Notre-Dame de Paris apresenta três níveis horizontais e é ainda dividida em três zonas verticais. No nível superior há duas torres de 69 metros de altura. A torre sul acolhe o famoso sino de nome Emmanuel. A torre norte pode ser visitada, subindo-se 386 degraus (que por sorte por ou azar, como a fila de espera era enorme, acabámos por não subir). No interior, a nave tem 127 metros de comprimento, com 48 metros de largura e 35 metros de altura. Por si só, a Grande Rosácea da fachada principal é de deixar sem palavras quem a vislumbra.
 
 


Sacré-Coeur

No topo do monte Martre, o ponto mais alto da cidade, surge linda e imponente a basílica do Sagrado Coração (em francês, Basilique du Sacré-Coeur). Um dos monumentos mais visitados da França e o meu favorito, a basílica tem o formato de cruz grega adornada por quatro cúpulas, incluindo a cúpula central de oitenta metros de altura. Na ábside, uma torre serve de campanário a um sino de três metros de diâmetro e cerca de 19 toneladas, sendo considerado um dos mais pesados do mundo. É um templo da Igreja Católica Romana em Paris e foi construída com mármore travertino extraído da região de Seine-et-Marne, o que lhe proporciona uma tonalidade branca. A arquitetura da basílica é inspirada na arquitetura romana e bizantina e foi projetada pelo arquiteto Paul Abadie. A sua construção começou em 1875 e foi concluída em 1914, embora a consagração da basílica tenha ocorrido apenas após o final da Primeira Guerra Mundial, em 1919.

Por cincidência (ou não, como ainda nessa noite viría a descobrir), visitámos Sacré-Coeur na manhã do dia do nosso 7º aniversário de namoro. A vista panorâmica de Paris e arredores que apreciámos sentados num dos degraus da extensa escadaria, ladeados por jardins românticos, foi inspiradora. Por sorte, para Fevereiro, estava um dia lindo, com um céu praticamente limpo, tirando uma discreta neblina matinal, que acabou por conferir alguma misticidade ao momento. De fundo, para além do burburinho dos imensos turistas que estavam no local, ouvia-se o tema "What a wonderfull World" de Louis Armstrong, na voz raggae de um artista de rua. Foi simplesmente especial e tornou-se em mais um daqueles momentos únicos, que nunca esqueceremos.



Place du Tertre

De seguida, visitámos a Praça du Tertre,  localizada nas proximidades da basílica de sacre Coeur, no centro de Montmartre, local onde se concentram os artistas para trabalhar e vender as suas obras. Picasso e Utrillo viveram lá. A poucos metros de distância da Place du Tertre, o espaço Salvador Dali expõe esculturas e desenhos do artista. Nesta praça pitoresca e muito animada, há cafés com mesas na calçada, restaurantes e uma exposição permanente com cavaletes de 140 artistas, entre eles pintores, retratistas e caricaturistas, que expõem as suas obras e pintam ao ar livre. É um bairro caricato, com as suas ruelas e o famoso café "La Mère Catherine", restaurante fundado em 1793, que foi o primeiro bistrô de Paris. Conta-se que a palavra "bistrô" teria nascido neste café em 1814 durante a ocupação russa, quando os soldados cossacos, apressados, pediam uma bebida dizendo: "Bistro! Bistro!". Isto é: "Rápido! Rápido!", em russo. Ao que parece, Montmartre foi um lugar importante da vida artística parisiense com o nascimento de vários grandes movimentos picturais: o impressionismo, o cubismo, o fauvismo, o futurismo e o surrealismo, seja com Toulouse-Lautrec, Modigliani, Braque, Picasso ou Van Gogh.
 
 
 
 


Torre Eiffel (curiosidades)

Apesar da sua estrutura colossal, a Torre Eiffel foi apenas construída para a Exposição Universal de 1889 e após a qual se previa a sua demolição. O seu uso para estudos meteorológicos e o bom senso dos parisienses evitaram que tal descalabro ocorresse.
 
Até à época da construção da Torre Eiffel, a edificação mais alta erguida por seres humanos era a Grande Pirâmide de Quéops, no Egito, com 138 metros de altura e quase cinco mil anos de idade. A Torre Eiffel permaneceu como a construção mais alta do mundo até 1930!
 
O seu construtor foi Alexandre Gustave Eiffel, que antes tinha apresentado o seu projeto a outras cidades, em vez de Paris, nomeadamente Barcelona, e foi rejeitado.
 
 
Quando estava a ser construída, um grupo de artistas e escritores da França protestou; um documento saiu a público contra a construção da Torre, afirmando-se que ía ser a desonra de Paris e qualificaram-na de "chaminé de fábrica", completamente inútil (lol).
 
Demorou 26 meses a ser construída e foi inaugurada pelo Príncipe de Gales que, posteriormente, tornou-se o Rei Eduardo VII do Reino Unido. Encontra-se em Champs de Mars e tem 333 metros de altura, sendo de ferro. O seu peso total é de cerca de 9.000 toneladas, incluindo 40 toneladas de tinta. Tem três plataformas para o público (nas quais muitos pedidos de casamento têm acontecido!): a primeira, a 57 metros, a segunda a 115 metros e a terceira a 276 metros. Para chegar ao primeiro nível, qualquer turista tem que subir 360 degraus. A primeira e a segunda plataforma estão separadas por 359 passos. No total são 1.662 degraus até chegar ao topo! Felizmente, um sistema de elevadores também foi instalado. Pouco antes da captura de Paris pelos nazis, alguém cortou os cabos do elevador, de modo a que, se Hitler quisesse subir ao topo da torre, ele teria que andar (ahahah).
 
A primeira plataforma possui um bom restaurante. Quem pretender desfrutar de uma excelente cozinha francesa e jantar observando uma fantástica vista de Paris (e pagar quase o preço da Torre!) é absolutamente necessário reservar com antecedência. Nós não chegámos a subir à Torre, uma vez que encontrámos uma fila de horas e o nosso tempo era limitado... no entanto, sabíamos que, de Sacre Coeur, teríamos igualmente uma vista privilegiada sobre a cidade. Em vez disso, explorámos a zona em redor da Torre Eiffel, que é também lindíssima!



 
 

 
Outra curiosidade é que a Torre é iluminada com 352 focos,  de 1 KW cada, e obtém a iluminação atual com luzes  que piscam, o que, vista à noite, se torna em algo mágico!
 
 
A Torre é também 15 centímetros mais alta no Verão do que no Inverno, devido à dilatação do ferro e que é torta, devido ao mesmo fenómeno: no período da manhã, recebe os raios solares sobre uma face, e, como a sua construção é exclusivamente metálica, as vigas de aço dilatam-se sob a ação solar, ficando, deste modo, a parte aquecida aumentada, o que a faz vergar para o lado oposto. No período da tarde, ela tende a entortar para o outro lado, por causa da mudança da posição do Sol.


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