Translate

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Capítilo IV: O pedido

Entretanto, lá passeávamos nós por Paris, felizes e apaixonados a viver "la vie en rose". Apesar de só estarmos umas milhas afastados do nosso país, parecíamos estar num universo paralelo, um mundo à parte, perfeito, onde os problemas não existem, ou pelo menos, conseguimos não pensar neles.
 
Foi no dia do nosso 7º aniversário de namoro. Já tínhamos ido a Montmartre, de manhã e almoçámos por lá, num bistrô, um restaurante típico francês. O Vitor parecia-me estranho, algo pensativo e até um pouco tenso (agora que me recordo). No entanto, não valorizei. Fomos depois até Champs de Mars. Tínhamos planeado passear pela zona da Torre Eiffel e talvez fazer um passeio de barco pelo Sena. O dia estava frio, mas havia no ar uma energia reconfortante, a acompanhar de um cheirinho a crepes, que por vezes se fazia sentir, vindo das crêperies ambulantes. Não quisemos ignorar os nossos sentidos e comemos um maravilhoso crepe com chocolate. A Torre Eiffel vista de perto parecia tirada de um filme fantástico, com os seus jardins envolventes vestidos de Inverno. Fomos até à beira-rio, tínhamos então decidido fazer o passeio de barco. Sondámos os preços junto de algumas das empresas, comprámos os bilhetes e estávamos a aguardar a hora de embarque. Tocou o telemóvel do Vitor. Era o construtor a dar a notícia que nós tanto receávamos: não tinha sido aceite a proposta para a compra da casa dos nossos sonhos... Foi nessa altura que caí na realidade, voltei a Portugal por uns breves instantes... Ficámos desolados, apesar de acharmos que queríamos muito a casa, não poderíamos pagar o valor que o construtor pretendia. O Vitor tentou reconfortar-me, dizendo que iríamos procurar melhor, que talvez o destino assim quisesse.
 
O passeio foi lindo: saímos da Torre Eiffel e fomos até à ponta da Ilê de la Citê e depois voltámos ao ponto de partida. Já tinha anoitecido. Vimos a cidade toda iluminada ao som de músicas francesas românticas. A cidade luz. A Torre Eiffel estava linda, assim como Notre Dame e tudo o que estava na orla do rio. Vimos também a Ponte Alexandre III e a Ponte Neuf. Apesar de tudo, não poderíamos ter recebido a notícia em pior altura... Continuava triste e desiludida e acabei por não tirar o máximo partido da experiência... Estávamos a chegar ao cais de desembarque, quando o Vitor sugeriu que fôssemos até ao convés, para podermos ter uma melhor vista da Torre Eiffel. Tinha começado a cair uma chuva miudinha e eu abri o guarda-chuva. Por momentos distraí-me a apreciar a Torre Eiffel toda iluminada e quando olhei para o Vitor, ele disse: "Deixa lá, podemos não ter casa mas têmo-nos um ao outro! Queres casar comigo?". Tinha-se ajoelhado e na mão tinha uma pequena caixa com o Anel! Update : estava em Paris, já tinha antes ido a Portugal, por uns breves segundos, mas naquele instante devo ter ido à Lua e voltado! Tinha sido completamente apanhada de surpresa (como somos todas)! Apesar da resposta ser óbvia, não sabia o que dizer. "Sim, é claro que aceito!" e desatei a chorar de tanta emoção e surpresa. Retirou o Anel da caixa e colocou-mo no dedo. Beijámo-nos e abraçámo-nos e ficámos assim... Aquele momento éramos nós, sem espaço, nem tempo. Só nós os dois abraçados a rir e a chorar, naquele dia, àquela hora, naquele instante, naquele barco no rio Sena em frente à Torre Eiffel... Já não estava ninguém no barco, tinha voltado à realidade, essa que desta vez era doce, eu estava noiva!
 
 
 
 

 

 
 
 

Sem comentários:

Enviar um comentário